O infarto agudo do miocárdio continua sendo uma das principais causas de morte entre mulheres no Brasil. De fato, mesmo que muitos acreditem que problema cardíaco afetaria mais os homens o fato é que as mulheres muitas vezes apresentam sintomas diferentes, o que pode atrasar o diagnóstico e o tratamento. Este artigo mostra como identificar sinais típicos e atípicos, aborda fatores de risco femininos específicos, traz dados atualizados para o Brasil e para o estado de Minas Gerais e explica como agir com rapidez e prevenir o problema.
Por que o infarto pode ser diferente nas mulheres?
Diferenças biológicas, hormonais e de estilo de vida influenciam a forma como as mulheres desenvolvem e relatam doenças cardiovasculares.
Além disso, no Brasil há fatores sociais que agravam o problema. Mulheres que tiveram complicações durante a gravidez como pré-eclâmpsia ou diabetes gestacional possuem risco cardiovascular aumentado posteriormente.
As doenças autoimunes e a menopausa também fazem parte do panorama de risco para mulheres. Dessa forma, o perfil de risco feminino exige atenção diferenciada.
Sintomas mais comuns e os atípicos
Embora a dor torácica continue sendo o sinal mais frequente, muitas mulheres não descrevem dor intensa no peito como primeiro sintoma. Em vez disso, elas relatam:

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Fadiga incomum e intensa, que pode surgir dias ou semanas antes do evento;
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Falta de ar mesmo em repouso ou com esforço moderado;
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Desconforto ou dor na mandíbula, pescoço, costas ou ombro;
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Náusea, vômito ou sensação de indigestão;
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Suor frio, tontura ou sensação de desmaio;
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Ansiedade ou sensação de desgraça iminente (o chamado “sentimento de morte iminente”).
Esses sintomas atípicos contribuem para o subdiagnóstico e subtratamento das mulheres com síndrome coronariana aguda. Portanto, qualquer combinação desses sinais deve ser avaliada com seriedade.
Tipos de infarto mais frequentes em mulheres
Existem diferenças na fisiopatologia. Por exemplo:
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As mulheres apresentam maior prevalência de MINOCA (Myocardial Infarction with Non-Obstructive Coronary Arteries), ou seja, infarto sem obstrução coronária significativa nas imagens angiográficas.
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Há também casos relacionados a dissecção espontânea da artéria coronária (SCAD), mais comuns em mulheres jovens e associadas a gravidez ou eventos hormonais.
Esses quadros exigem investigação mais detalhada e, por vezes, abordagem terapêutica diferente da usada em obstruções coronarianas clássicas.
Fatores de risco
No Brasil aplica-se a regra geral: tabagismo, hipertensão, diabetes, obesidade, sedentarismo, dislipidemia. Mas nas mulheres são evidentes impactos extras:
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Diabetes e tabagismo elevam o risco proporcionalmente mais em mulheres do que em homens. Dados mostram que mortes por infarto entre mulheres jovens cresceram 62% no Brasil entre 1990 e 2019 na faixa etária 15-49 anos.
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Eventos obstétricos como pré-eclâmpsia, diabetes gestacional, parto prematuro aumentam risco cardiovascular da mulher ao longo da vida.
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Doenças autoimunes como lúpus ou artrite reumatoide são fatores de risco específicos para mulheres.
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Após a menopausa o risco cresce por perda do efeito protetor hormonal.
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Em Minas Gerais há crescimento acelerado de casos de infarto. Por exemplo entre 2008 e 2022 o número de internações em todo o estado aumentou 115%.
Portanto, o perfil de risco feminino exige atenção a eventos reprodutivos e a doenças inflamatórias sistêmicas.
Dados atualizados do Brasil e de Minas Gerais
Para contextualizar o cenário no Brasil e em Minas Gerais veja a tabela abaixo:
| Local | Período / Situação | Indicador |
|---|---|---|
| Brasil | Mulheres jovens (15-49 anos) mortes por infarto 1990-2019 | Aumento de 62% |
| Brasil | Internações por infarto entre mulheres 2008-2022 | Média mensal de 1.930 para 4.973 (alta 157%) |
| Brasil | Mulheres representaram 40% das mortes por infarto em 2023 | Aproximadamente 40% |
| Minas Gerais | Internações por infarto primeiro semestre 2025 | 9.893 internações |
| Minas Gerais | Óbitos por infarto primeiro semestre 2025 | 3.437 óbitos |
| Minas Gerais | Óbitos por infarto até agosto 2024 | 3.502 óbitos por IAM |
Esses dados demonstram que o infarto no Brasil e em Minas Gerais é um problema grave para as mulheres. Em Minas Gerais o estado reconhece que as doenças do aparelho circulatório representaram 19.858 mortes entre janeiro e agosto de 2024, com 3.502 casos por infarto agudo do miocárdio.
Diagnóstico, exames e peculiaridades
No atendimento, o protocolo deve ser rápido e eficaz. Os exames principais são:
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Eletrocardiograma (ECG): fundamental e deve ser realizado imediatamente.
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Marcadores cardíacos (troponina): ajudam a confirmar lesão miocárdica.
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Angiografia coronariana: quando indicada, avalia obstruções e orienta intervenção.
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Imagem complementar (MRI, tomografia): útil em casos de MINOCA ou suspeita de dissecção.
Importante: mulheres podem apresentar alterações menos típicas no ECG, e a angiografia pode ser normal em casos de MINOCA; assim, a investigação adicional com ressonância magnética ou testes funcionais pode ser necessária.
Tratamento
O tratamento do infarto segue protocolos que visam restabelecer o fluxo sanguíneo e limitar o dano ao músculo cardíaco. Entre as medidas imediatas estão:
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Trombólise ou angioplastia primária (quando indicado) quanto mais cedo, melhor.
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Antiagregantes e anticoagulação, conforme protocolo médico.
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Suporte hemodinâmico e cuidados intensivos, se necessário.
- Reabilitação cardíaca após alta.
Apesar disso, dados mostram que mulheres muitas vezes recebem menos intervenções rápidas e têm atraso no atendimento, o que pode aumentar complicações e mortalidade. Portanto, é essencial que o reconhecimento e o encaminhamento sejam realizados sem preconceitos.
O que fazer na prática
Se você ou alguém suspeita de infarto:
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Chame o serviço de emergência imediatamente para: 190(Polícia Militar), 192 (SAMU) e 193 (Corpo de bombeiros).
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Não dirija sozinho até o hospital, aguarde socorro quando possível.
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Descreva todos os sintomas ao atendente e ao profissional de saúde, inclusive sinais atípicos (náusea, fadiga, falta de ar).
A rapidez no reconhecimento e no tratamento é determinante para reduzir morte e sequelas.
Prevenção
Prevenir infarto significa controlar fatores de risco e adotar estilo de vida saudável:

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Parar de fumar e evitar exposição ao tabaco passivo
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Praticar atividade física regular (por exemplo 150 minutos/semana de moderada intensidade)
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Manter a alimentação equilibrada, com mais frutas, verduras, grãos integrais e menos alimentos ultraprocessados
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Controlar pressão arterial, glicemia, colesterol com acompanhamento médico
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Em mulheres que tiveram complicações obstétricas como pré-eclâmpsia, diabetes gestacional, mantenha acompanhamento cardiológico
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Faça avaliações cardiovasculares regulares, especialmente após menopausa
Em Minas Gerais a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) reforça a importância da prevenção para mulheres, estimulando atividade física e hábitos saudáveis.
Conclusão
O infarto em mulheres no Brasil e em Minas Gerais merece atenção especial. Os sintomas podem ser diferentes, os fatores de risco são variados e específicos e os dados mostram aumento significativo da incidência e mortalidade. Portanto mulheres e profissionais de saúde devem estar alertas para sinais sutis, agir com rapidez e priorizar prevenção. A adoção de hábitos de vida saudáveis, o reconhecimento precoce dos sinais e o acesso a atendimento adequado fazem diferença na redução das mortes e nas sequelas.
