A MPox, anteriormente conhecida como varíola dos macacos, voltou a ganhar destaque mundial devido ao aumento de casos fora das regiões africanas onde era mais comum. Embora não seja uma doença nova, sua recente disseminação despertou preocupação global, especialmente entre autoridades de saúde e profissionais que atuam na linha de frente do controle de surtos.
A seguir, entenda o que é a MPox, como ocorre a transmissão, quais são os principais sintomas e o que fazer em caso de suspeita.
O que é a MPox
A MPox é uma doença viral causada pelo vírus monkeypox, pertencente à mesma família da varíola humana, que foi erradicada do planeta em 1980. Apesar de serem vírus relacionados, a MPox é geralmente menos grave e menos contagiosa do que a antiga varíola.
O vírus continua circulando principalmente em países da África Central e Ocidental, mas desde 2022 passou a ser detectado em várias regiões do mundo, incluindo Américas e Europa. Esse comportamento reforça a necessidade de vigilância epidemiológica contínua e educação em saúde pública.
Os sintomas iniciais da MPox costumam aparecer entre 5 e 21 dias após o contato com o vírus. O início da doença se parece com o de outras viroses, o que pode dificultar o diagnóstico precoce.
Principais sintomas da MPox
| Sintoma | Descrição |
|---|---|
| Febre | Geralmente é o primeiro sinal e pode ser alta. |
| Dor de cabeça e dores musculares | Sintomas comuns em viroses, acompanhados de mal-estar. |
| Aumento dos linfonodos | Diferente de muitas doenças virais, a MPox causa inchaço dos gânglios no pescoço, axilas e virilha. |
| Lesões na pele | Iniciam como manchas e evoluem para bolhas e pústulas, que secam e formam crostas. |
| Cansaço e calafrios | Indicam que o corpo está reagindo à infecção. |
Essas lesões podem surgir em diversas partes do corpo, incluindo rosto, mãos, pés, boca e área genital. Apesar de, na maioria das vezes, a evolução ser leve, crianças, gestantes e pessoas imunossuprimidas podem ter complicações mais sérias, como infecções secundárias e desidratação.
Como ocorre a transmissão
A transmissão da MPox ocorre, principalmente, pelo contato direto com fluidos corporais, lesões de pele ou mucosas de pessoas infectadas. Isso inclui beijos, abraços prolongados, contato íntimo e relações sexuais.
O uso de objetos contaminados, como roupas, toalhas e lençóis, também pode transmitir o vírus. Embora com menor frequência, ele pode se espalhar por gotículas respiratórias durante conversas próximas e prolongadas.
Além do contato humano, alguns animais silvestres, especialmente roedores e primatas, podem transmitir o vírus ao homem. Por isso, o contato com animais doentes ou mortos em áreas de risco deve ser evitado.
Modos de transmissão mais comuns
| Modo de transmissão | Exemplo |
|---|---|
| Contato direto | Toque em lesões de pele, secreções ou crostas. |
| Contato indireto | Uso de roupas, toalhas ou lençóis contaminados. |
| Contato sexual | Relações sem proteção com pessoas infectadas. |
| Animais infectados | Mordidas, arranhões ou manuseio de carne contaminada. |
Ao contrário de doenças respiratórias altamente contagiosas, como a COVID-19, a MPox não se espalha facilmente pelo ar. Assim, locais ventilados e com pouco contato físico oferecem risco menor de contágio.
Como se prevenir da MPox
A prevenção é a melhor forma de proteção contra a MPox. O primeiro passo é a informação correta sobre os modos de transmissão e as medidas de cuidado.
Entre as principais orientações estão:

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Evitar contato direto com pessoas que apresentem lesões suspeitas.
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Usar preservativos durante as relações sexuais.
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Lavar as mãos com frequência, especialmente após contato com superfícies compartilhadas.
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Não compartilhar objetos pessoais, como toalhas, roupas íntimas ou lençóis.
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Manter os ambientes ventilados e higienizados.
Em locais com casos confirmados, as autoridades sanitárias devem atuar rapidamente, isolando os pacientes infectados e rastreando contatos próximos. Esse acompanhamento reduz o risco de novos contágios e ajuda a interromper a cadeia de transmissão.
Além disso, vacinas originalmente criadas para a varíola humana têm mostrado eficácia cruzada contra o vírus monkeypox e são usadas em situações emergenciais ou em grupos de risco.
O que fazer em caso de sintomas
Pessoas que apresentem sintomas suspeitos devem procurar atendimento médico imediatamente. O diagnóstico precoce é essencial para evitar a disseminação e garantir um tratamento adequado.
Os profissionais de saúde utilizam testes de RT-PCR para confirmar o diagnóstico, coletando amostras diretamente das lesões de pele. Em alguns casos, também são realizados exames de sangue.
O tratamento é sintomático, ou seja, voltado para aliviar os sintomas. O repouso, a boa hidratação e a alimentação equilibrada ajudam na recuperação. Casos mais graves, especialmente em pacientes com comorbidades, podem exigir acompanhamento hospitalar.
Tratamento e cuidados durante a infecção
Atualmente, não existe um tratamento antiviral específico aprovado para a MPox. No entanto, alguns antivirais usados em pesquisas para varíola humana vêm sendo testados e aplicados em casos graves.
Os profissionais de saúde devem impedir a contaminação das lesões por bactérias e garantir o conforto do paciente durante a recuperação. O médico pode indicar o uso de analgésicos, antitérmicos e pomadas calmantes para aliviar os sintomas e acelerar o bem-estar.
Durante o período de isolamento, é essencial que o paciente:
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Mantenha as lesões cobertas sempre que possível.
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Evite contato físico com outras pessoas e animais domésticos.
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Use máscara ao interagir com profissionais de saúde.
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Higienize objetos e roupas com frequência.
A pessoa deve manter o isolamento até que todas as crostas caiam e a pele cicatrize completamente, o que geralmente ocorre entre 2 e 4 semanas.
Situação atual e importância da vigilância epidemiológica
Embora a MPox ainda seja considerada uma doença pouco comum fora das regiões endêmicas, o aumento de casos em diferentes continentes exige atenção global. A vigilância epidemiológica tem papel fundamental na detecção precoce, no isolamento dos casos e na orientação da população.

Com o apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS), diversos países vêm adotando campanhas educativas, treinamento de profissionais e monitoramento ativo de novos casos.
Considerações finais
A MPox reforça a importância da informação confiável e da prevenção. Embora a maioria dos casos seja leve, o cuidado individual e coletivo é essencial para evitar surtos.
Com medidas simples, como higiene das mãos, uso de preservativos e atenção aos sintomas, é possível reduzir o risco de infecção e proteger a comunidade.
A saúde pública se fortalece quando profissionais, autoridades e cidadãos colaboram com responsabilidade e empatia. O conhecimento segue sendo uma das ferramentas mais poderosas no enfrentamento de doenças emergentes como a MPox.
