Surto de SRAG: Minas decreta emergência

Minas Gerais vive um momento de grande atenção no campo da saúde pública devido ao crescimento expressivo dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e outras infecções virais. O cenário tem causado preocupação entre profissionais, gestores e famílias, pois o número de internações vem aumentando rapidamente. Até a manhã de 3 de maio, seis municípios mineiros haviam decretado situação de emergência, o que reforça a gravidade do problema e a necessidade de respostas rápidas e eficientes.

Esse aumento repentino de casos não afeta apenas os serviços de saúde, mas também impacta diretamente o cotidiano da população. Além disso, a circulação intensa de vírus respiratórios, especialmente o Influenza A e o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), tem provocado surtos e pressionado fortemente as unidades hospitalares. Dessa forma, compreender o que está acontecendo e saber como agir tornou-se essencial para todos.

Aumento de casos leva municípios à emergência

Até o momento, os seguintes municípios já oficializaram a situação de emergência:

  • Belo Horizonte;

  • Betim;

  • Contagem;

  • Pedro Leopoldo;

  • Santa Luzia;

  • Conselheiro Lafaiete.

Essas cidades registraram um crescimento acelerado nos atendimentos respiratórios, especialmente em crianças pequenas. Como consequência, os hospitais, sobretudo aqueles com atendimento pediátrico, estão operando muito próximos da lotação máxima. Além disso, muitas unidades de terapia intensiva têm registrado ocupação elevada, o que contribui para aumentar a pressão sobre os serviços de saúde.

Para reforçar a compreensão do cenário, veja o resumo na Tabela 1.

Tabela 1. Municípios mineiros que decretaram emergência por SRAG

Município Motivo principal do decreto Pressão maior em
Belo Horizonte Aumento intenso de internações pediátricas UTIs pediátricas
Betim Circulação simultânea de Influenza A e VSR Pronto-atendimentos
Contagem Crescimento de casos de crianças menores de 2 anos Internações clínicas
Pedro Leopoldo Sobrecarga nos serviços municipais de saúde UPA municipal
Santa Luzia Aumento de casos respiratórios graves Leitos de UTI
Conselheiro Lafaiete Demanda acima do esperado durante outono Pediatria e idosos

Número de internações aumenta em Minas Gerais

Segundo a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), mais de 26 mil internações por SRAG foram registradas entre janeiro e abril de 2025. Esse número é considerado bastante elevado e revela um comportamento atípico para esse período do ano. A maioria dos casos graves envolve:

  • Crianças menores de 1 ano

  • Idosos com 60 anos ou mais

Esses grupos, portanto, merecem atenção especial. Crianças muito pequenas ainda não têm o sistema imunológico completamente desenvolvido. Além disso, idosos tendem a apresentar outras doenças crônicas, o que aumenta o risco de complicações.

Para ilustrar melhor, veja a Tabela 2 com o perfil das internações:

Tabela 2. Perfil das internações por SRAG em Minas Gerais (jan-abr 2025)

Faixa etária Percentual aproximado Principais complicações observadas
Menores de 1 ano 40% Bronquiolite, insuficiência respiratória
Idosos acima de 60 anos 35% Pneumonia, agravamento de doenças cardíacas
Adultos de 20 a 59 anos 20% Influenza grave, dificuldade respiratória aguda
Crianças de 1 a 10 anos 5% Infecções virais moderadas a graves

Medidas emergenciais adotadas pelos municípios e pelo estado

Com o cenário se agravando rapidamente, os municípios decidiram adotar medidas emergenciais para responder de forma mais ágil ao aumento da demanda por atendimentos. A decretação da emergência permite:

  • Contratar profissionais da saúde com mais rapidez

  • Comprar medicamentos sem processos de licitação demorados

  • Reforçar equipes de atendimento e vigilância

  • Expandir temporariamente serviços de urgência e internação

Essas medidas são fundamentais para evitar o colapso dos sistemas locais de saúde, principalmente nas cidades que já operam no limite.

Além disso, o Governo de Minas Gerais decretou emergência estadual por 180 dias, ampliando a capacidade de resposta. A Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) abriu processo seletivo para contratar 110 novos profissionais, incluindo médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem. Eles atuarão nos seguintes hospitais de referência:

  • Hospital João XXIII

  • Hospital Infantil João Paulo II

  • Hospital Eduardo de Menezes

  • Hospital Júlia Kubitschek

  • Maternidade Odete Valadares

Assim, o reforço das equipes busca garantir que o atendimento à população continue funcionando, mesmo com o aumento substancial das internações.

O que a população pode fazer: medidas essenciais de prevenção

Embora o poder público esteja tomando medidas importantes, a participação da população é indispensável. À medida que os vírus respiratórios circulam de forma intensa, reforçar os cuidados diários se torna essencial para evitar novos casos graves. Portanto, manter a atenção em cada detalhe faz toda a diferença.

As principais recomendações incluem:

  • Manter a vacinação atualizada, especialmente contra a gripe

  • Evitar aglomerações, sobretudo em locais fechados

  • Usar máscara em hospitais e unidades de saúde

  • Lavar as mãos frequentemente com água e sabão ou álcool 70%

  • Procurar atendimento médico ao surgirem sintomas, como febre, tosse e falta de ar

Além disso, crianças pequenas, idosos, gestantes e pessoas com doenças que afetam o sistema imunológico merecem cuidados redobrados. Esses grupos apresentam maior vulnerabilidade e, portanto, precisam seguir as recomendações de forma mais rigorosa.

Para ambientes coletivos, como escolas, creches e instituições de longa permanência para idosos, é fundamental reforçar protocolos de higienização. Assim, é possível reduzir a transmissão dentro desses espaços, que são naturalmente mais suscetíveis a surtos respiratórios.

Conclusão

O avanço da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em Minas Gerais exige atenção máxima de todos. As medidas emergenciais adotadas pelos municípios e pelo estado demonstram o esforço conjunto para evitar uma crise ainda maior. Entretanto, é preciso lembrar que a colaboração da população continua sendo decisiva para reduzir a propagação dos vírus.

Dessa forma, manter hábitos preventivos, procurar atendimento oportuno e seguir as orientações das autoridades de saúde são atitudes indispensáveis neste momento. Com cuidado, informação e ação coordenada, Minas Gerais pode superar esse período crítico com mais segurança.

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